segunda-feira, 23 de abril de 2018

Com amor

Valeu, Simon!


Existem duas formas de você analisar "Com amor, Simon", em cartaz no Brasil. A primeira: é muito água com açúcar para retratar a rotina de um jovem homossexual enrustido.

A segunda (e a que mais me interessa): é um filme que, de tão alegre, pode, paradoxalmente, ser um divisor de águas no jeito como os gays são retratados na telona.

Hollywood, convenhamos, sempre foi cruel com a turma do arco-íris. Ou a moçada é motivo de piada, ou morre de Aids, ou é discriminada até pelo cachorro.

Desta vez (oba!), o filme é feliz, um indício animador de que a realidade, antes tão estigmatizada, está mudando. Para melhor.

"Com amor, Simon" é baseado em um livro e tornou-se um filme despretensioso na forma e timidamente ambicioso no conteúdo, sob a batuta do diretor Greg Berlanti.

Simon, interpretado pelo simpático Nick Robinson, é um jovem gay com o dilema clássico: sair ou não do armário? 

Entre algumas lágrimas e muitos sorrisos, a história transcorre com uma mensagem sensata: a de que não importa a orientação sexual, e sim o caráter.

O personagem, portanto, sofre muito mais quando age com malícia do que pelo fato de gostar de rapazes.

O filme também brinca, de maneira leve, com alguns estereótipos equivocados acerca do universo colorido. Por exemplo, o de que os homossexuais são sempre afeminados, ou o de que todos os rapazes transam entre si, simplesmente porque são gays.

Simon faz o tipo heteronormativo: comporta-se como um homem heterossexual, o que não o impede de circular entre seus pares mais alegres.



A trilha do filme é uma belezinha, baseada no som deliciosamente cafona dos anos 1980 e 1990. 

E, nem de longe, o personagem sente o peso do preconceito da família ou fanáticos religiosos. Pelo menos no cinema, o mundo é tolerante e carinhoso com os diferentes.

"Com amor, Simon" é surpreendentemente pra cima e trata do tema com a naturalidade que falta, por exemplo, às novelas da Globo. Simon ainda se dá bem no final, transformado pelo amor que recebe, não pelo ódio.

"O problema de se assumir para o mundo é...e se o mundo não gostar de você?", ele pergunta. Fique tranquilo, garoto. Considerando os 40 milhões de dólares que o filme arrecadou só na terra do homofóbico Trump, eu arrisco a dizer que muita gente curtiu.

Valeu, querido.

domingo, 8 de abril de 2018

Horror e doçura

Silêncio e som na caixa


Não nego meu horóscopo nem nas preferências. Geminiano é assim: ama filme de terror e se derrete com música romântica. Aceita. Primeiro, o terror.

Fui ver "Um lugar silencioso" no cine. Já é, sem exagero, um dos melhores filmes de monstro a que já assisti. As influências de "Sinais", de Shayamalan, são nítidas, dos milharais ao suspense que prioriza a sugestão em detrimento do explícito. 

E o núcleo infantil, excelente, reforça a tendência "Stranger Things" em tudo o que Hollywood produz atualmente no gênero.

O padrão de qualidade de "Um lugar silencioso" também pode ser comprovado pela atuação da sempre maravilhosa Emily Blunt, que me cativou lá atrás, em "O Diabo Veste Prada", e dá mais uma surra de talento aqui. Detalhe: o parceiro dela na telona, John Krasinski, também é o diretor do filme e marido na vida real.

Não vou dar spoiler. Só digo que "Um lugar silencioso" tem cenas memoráveis, num show de terror tipo B bem executado.

Pensem no seguinte: mundo pós-apocalíptico, ETs cegos, com super-audição, prontos a matar o que encontrarem pela frente. Parece trash? Não é! A cena da Emily na banheira, durante um parto, sem poder gritar, é de chorar junto.

E o final? Posso aplaudir?

Agora, a doçura. Já ouviram Cam, minha nova melhor amiga? Deixa eu apresentar.


Camaron Ochs é a mais recente fofura da música country norte-americana. Ninguém me fisgava assim desde Shania Twain.

A "embalagem" de Cam é cativante, no melhor estilo vintage: olhos azuis, cachos platinados e músicas caprichadas na simplicidade que flertam com o pop. 

A loira fala de corações partidos, sem soar dramática ou cafona, ao contrário do nosso discutível sertanejo universitário. 

O primeiro single do novo disco da linda (programado para este ano) é a engraçadinha "Daiane". Na letra, Cam pede desculpas à amiga por ter ficado com o marido dela, sem saber que eram casados. Pura ficção e diversão garantida, inspirada na lenda country Dolly Parton.

Porém, a faixa que me deixou de quatro (opa!) é "Mayday", do disco de 2015, o ótimo "Untamed". A música é, novamente, sobre o fim de um romance, tema imposto pelo campo discursivo desse gênero musical.

Atenção para os signos linguísticos que pontuam o videoclipe para representar o declínio do relacionamento e a retomada da independência emocional.

No vídeo, Cam assume, sozinha, a pilotagem de um avião (sua vida), até então compartilhado com alguém que ela não ama mais. A aeronave cai no mar (de incertezas), ela quase se afoga (na depressão pós-término), pede socorro (mayday) e, por fim, consegue emergir. É assim que a banda toca. E como toca bem. 

Dá uma bizoiada aí embaixo e se renda a essa promissora sobremesa da música internacional. Cam, meu docinho, canta aí pro povo se deliciar com o seu bom gosto. Me mata de orgulho e me liga depois. Te amo. Beijos.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Excesso de opção

A janela das ilusões

Imagem: http://asemanacuritibanos.com.br

Eu conversava com a minha irmã outro dia sobre o excesso de oferta que nos atormenta hoje. É incrível como as redes sociais dão a impressão de que o mundo é vasto demais pra caber na nossa realidade. Seja pelos retratos felizes da vida alheia, seja pelo apelo sexual constante.

Não me surpreende que tanta gente sofra de depressão, diante de tamanha ansiedade e sensação de impotência. Fato: não dá pra ter tudo. Melhor apreciar a internet, essa ampla janela de ilusões, com moderação e pé no chão.

No campo amoroso, a situação é mais crítica. As prateleiras virtuais nos dão a falsa percepção de que temos um açougue à nossa frente, com carne de primeira. Basta entrar e escolher. Hoje, deixa eu ver, quero filé mignon. A verdade é que a maioria acaba comendo pescoço de galinha. É aquela história da expectativa x realidade.

Todo mundo sabe (ou pelo menos deveria) que não dá pra esperar muita coisa das paqueras de boate e, especialmente, dos aplicativos que se configuram como uma promessa de um provável relacionamento. A questão não é demonizar ou exaltar essa alternativa de sexo fácil. É mais um lance de ponto de vista e mudança de perspectiva. 

Pessoas interessantes, via de regra, não podem ser encontradas em noites mundanas, muito menos numa clicada. São difíceis de achar. Aquelas capazes de despertar paixão e admiração, então, parecem ter migrado para outra dimensão.

O cenário que se apresenta é de uma ironia fina e dolorida. Diante de tanta opção, relutamos em escolher. Por que me ajeitar com alguém, se ali fora, ou mesmo a um clique de distância, posso experimentar algo diferente e, quem sabe, mais excitante? Por que namorar uma única pessoa se posso ter o mundo? Ou quase?

https://lolahaus.wordpress.com

Conheço gente que cai na tentação de tentar um pouco de tudo, só que ao mesmo tempo. Dessas pessoas que, mesmo num relacionamento pseudo-estável, dão lá o seu jeitinho de dar uma escapulida com aquele gatinho ou gatinha se oferecendo no Instagram, no Tinder, ou no app de sua preferência. Afinal, faz bem para o ego saber que há, logo ali, mais interessados em potencial do que o parceiro oficial.

Essa bagunça nunca acaba bem. Digo, com as cicatrizes de algumas experiências, que a mentira sempre aparece, quando a gente menos espera. E alguém sempre sai mais machucado, o que nunca é bom. Plantou, colheu. Acredite.

Tenho ciência de que o tempo e a vivência me tornaram um ser híbrido, de casca dura e franqueza irritante. Escolhi ser íntegro. Também pelo outro, mas, principalmente, por mim. Escolhi ser a pessoa que quero que os outros sejam. Escolho o melhor caminho, o da verdade vermelha e viva, nessa área delicada e, por vezes, cinzenta dos romances. Se algo der errado, saio de cabeça erguida. Paz não tem preço.

Sobre o excesso de opções, já me resolvi há algum tempo. Não quero ter tudo. Nem me interesso por tudo. Entre a excitação do barulho e o conforto do ninho, prefiro o colo quietinho da intimidade, com direito a cafuné e cheirinho de café pela manhã. De vez em quando, sou super a favor de temperar com um agito aqui e ali. Mas não tem jeito, troco fácil todos os apps do mundo pelo sofá, ao lado de quem pode me oferecer o que a internet jamais vai conseguir: o mundo real.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Rápidas e bobinhas

Vai vendo

Foto: Divulgação.

Eu ando meio sem saco pra escrever. É fase. Mas estou lendo mais, o que é bom, reflexo direto de uma profunda mudança de caminhos e sentimentos. Voltarei às palavras mais densas. Por enquanto, bora falar de algumas bobagens.

No cinema, vi um monte de coisa legal. O musical "O Rei do Show", por exemplo, é um entre tantos libelos recentes pelo combate ao preconceito em todas as suas formas (vide "A forma da água", favorito ao Oscar, que nos deixa na torcida pela criatura). 

Pensa num circo no melhor estilo "freakshow", em que todos, incluindo a mulher barbada, exigem e merecem respeito. As músicas, entre elas a emocionante balada "Never Enough", são o ponto forte de "O Rei do Show", um conto de fadas raso, porém divertido. Até o Zac Efron conseguiu disfarçar a famosa canastrice.

O discurso da inclusão, aliás, já circula em outras manifestações midiáticas, como a publicidade. As mais recentes propagandas da Coca (com a drag Pabllo Vittar) e da Skol (que só desce redondo quando ninguém é discriminado) são sintomas de uma mudança mercadológica e social mais do que bem-vinda. Viva o texto criativo e agregador, pilar da comunicação atual.

Vi também "Sobrenatural 4", um bom terror, menos sobre espíritos e mais sobre os demônios da vida real: assassinos, rancores familiares e políticas rasteiras. Pronto. Ainda dá medinho de fantasma? Eis a mensagem deste filme, que ainda dá uns bons sustos. E a Elise, protagonista, é simplesmente uma velhinha porreta e digna.

Musicalmente, ando passeando por extremos, do pop romântico ao eletrônico. Deixo aqui duas sugestões de hinos que beiram a perfeição. A primeira delas eu escuto no fone, enquanto corro na marginal perto de casa. Até que funciona! É tema de "Cinquenta tons de liberdade" e tem uma atmosfera inebriante. O clipe é lindo. A dupla aí ajuda. Escuta logo, vai. 


A segunda sugestão não tem vídeo e áudio disponíveis, porque a chata da Taylor Swift só liberou no Spotify. É "Delicate", uma faixa tão trabalhada no bom gosto que dispensa mais comentários. Procura e se vira pra ouvir, vale a pena.

Em tempo: o disco novo da Palmita (como Taylor é chamada por seus detratores, por causa da aparência muito branca e longilínea) não é tão bom. "Reputation" está aquém da pérola que foi "1989". Mas "Delicate" e mais um par de músicas compensam o disco inteiro.

Despeço-me com a classe de Hilda Hilst, cujas crônicas têm me feito companhia ultimamente. É dela uma das observações mais límpidas sobre a vida, avessa a definições engessadas. Do jeito que eu gosto.

"A vida é crua. Faminta como bico dos corvos. E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima, olho d'água, bebida. A vida é líquida".

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Ilusão virtual

Nude


Foto: https://thumbs.dreamstime.com/z/pisc-despido-censurado-do-homem-dos-desenhos-animados-do-nude-39131616.jpg


Gosto de acreditar que as fotos que a gente posta nas redes sociais são poderosos índices dos nossos estados psicológico e emocional.

Sempre desconfio de quem posta selfie o tempo todo. É um tipo irritante de autoafirmação. 

Por outro lado, é gostoso passear pelo Instagram. As fotos de gente semi-nua são as mais divertidas, especialmente pelos comentários que provocam.

Postei uma sem camisa outro dia. Não estava me sentindo carente. Não sou narcisista nem egocêntrico, muito menos escravo de likes. Mas adorei o teste.

Meu parceiro me deu uma "chamada", mas ficou de boa. Minha irmã está até agora sem me entender. Alguns amigos fizeram de conta que não viram. Outros curtiram. Outros ainda mandaram um direct, com dúvidas.

A maioria, ciente de que costumo ser discreto, queria saber se estava tudo bem. Ganhei elogios pela boa forma, a parte mais óbvia num post assim. 

Esses semi-nudes despertam curiosidade. Por vezes, desejo. E já são uma ousadia socialmente aceita, embora boba. Olha ele! Pra quê isso?

A minha experiência ajudou a sedimentar certezas. A primeira delas é a de que meu parceiro é um cara incrível. Não brigou, não fez birra, não quis contra-atacar com uma foto de cueca, nada. Aplaudo e agradeço.

Não é o post mais curtido do meu perfil. Perde para os cliques fofinhos que fiz com cachorros. Porém, é o que mais rapidamente alcançou as 100 curtidas e o mais comentado entre os meus poucos seguidores. Não que isso importe. É apenas revelador.
Percebi que aqueles que geralmente curtem minhas fotos, e não deixaram um coraçãozinho nesta em especial, têm motivos discutíveis, muito além do fato de não terem gostado, o que também é possível.

Suponho que quem tem namorado ciumento ou dúvidas sobre a própria orientação sexual, por exemplo, prefere olhar sem clicar duas vezes. Se foi o seu caso, repense o relacionamento. Ou saia do armário. Que tal?

Para mim, postar uma foto sem camisa, tão diferente das minhas publicações habituais, foi libertador. Especialmente para deixar em paz quem gosta de exibir as curvas, estejam elas dentro ou fora dos padrões de beleza. Afinal, somos todos um pouco voyeurs.   

Foi, por fim, engraçado. Para conseguir aquela foto, foram pelo menos uns dez cliques, com a luz certa e um ângulo favorável. Depois joguei um filtro bacana. E voilà! Foto engana, meus amigos!

Sim, sinto-me bem com meu corpo. Mas continuo precisando de muito Pilates e corrida pra me manter decente.

Como dizem, você só descobre o quanto é feio quando tiram uma foto sua distraído. Mas essa é melhor não postar.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Flashdance

Recordar é viver


Revi "Flashdance" pela enésima vez, mas com gostinho de novidade. Assim é a arte, quando a redescobrimos.

O filme, de 1983, não apenas conservou a capacidade de entreter, como passou a enriquecer o debate acerca de temas diversos. 

A atriz Jennifer Beals encarna uma dançarina que pode ser considerada uma das primeiras personagens essencialmente feministas do cinema norte-americano.

Independente, e com aquele visual irresistivelmente cafona da época, Jennifer ganha a vida como soldadora, uma função que costuma ser atribuída aos homens.

Jovem e descolada, ela mora com um charmoso pit bull num galpão improvisado. A dança, sua paixão, ela exercita num bar que dá espaço a performances explosivas, sempre com uma proposta artística e sensual.


A personagem tem outros atributos interessantes: só anda de bicicleta e não aceita ser domada pelo parceiro (que também é seu patrão), ao recusar, de forma veemente, a ajuda dele.

As mulheres do filme se apoiam, são inspirações mútuas, algo que se perdeu de trinta anos para cá e agora emerge nas discussões feministas.

A sequência em que a dançarina é aprovada numa audição exigente continua emocionante. E embora receba um buquê de flores do namorado, é ela quem oferta ao parceiro uma rosa na cena derradeira.


Além do discurso pela igualdade de gêneros, logo após a infame queima de sutiãs em praça pública, "Flashdance" representa a retomada da feminilização da mulher, sem que isso seja necessariamente um sinal de fraqueza.

A trilha sonora é tão poderosa quanto as performances, todas ligadas, de alguma forma, ao estado emocional das personagens e às mensagens trabalhadas com apurado senso estético.

Detalhe: nas principais cenas de dança, Jennifer contou com a ajudinha de uma dublê, dançarina de verdade.

Irene Cara, que interpreta a canção-tema, levou o Grammy. Dançar "What a feeling", com o volume lá no alto, é daqueles prazeres que todo mundo tem, mas pouca gente assume. 

O filme é um entre muitos sucessos do diretor Adrian Lyne. "Flashdance" foi indicado ao Oscar em quatro categorias e permanece como um libelo pela diversão, misturada à política dos sexos e dos relacionamentos que rege a vida de todos nós.

É o tipo de filme cujo status, por si só, impede qualquer tentativa mequetrefe de refilmagem. Simplesmente porque se encaixa com perfeição em seu contexto sócio-histórico, o da deliciosa década de 1980, ao mesmo tempo em que o extrapola.


Visualmente, era o começo do culto ao corpo, da mania pelas academias e da paixão pelas polainas, colãs e sessões de aeróbica. O look mudou, porém a essência, cativante, é atemporal. 

Rever "Flashdance", tanto tempo depois, foi uma experiência curiosa que, por tabela, reforçou aquele sábio ditado de que recordar é, sim, uma forma respeitável de viver.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Mantenha distância

Sobre o jornalista racista

racismo
substantivo masculino
  1. 1.
    conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia entre as raças, entre as etnias.
  2. 2.
    doutrina ou sistema político fundado sobre o direito de uma raça (considerada pura e superior) de dominar outras.


Sim, o que o tal jornalista da Globo comentou foi racista.

Sim, ele tinha de ser afastado de imediato, e a emissora agiu corretamente. Comunicadores precisam ter responsabilidade e ética, mesmo longe dos holofotes. 

Sim, todo mundo sabe que o apresentador em questão é conhecido pela sua arrogância.

Sim, a vida se encarrega de colocar cada um em seu devido lugar. Causa e efeito. Ouvi um amém?

Sim, a internet está repleta de idiotas lamentando o afastamento do jornalista e criticando quem o denunciou, tentando minimizar o preconceito. Haja paciência.

Sim, precisamos combater o racismo com veemência e mostrar que isso vai ser coibido, até que esses supremacistas disfarçados de gente do bem aprendam a lição. 

Sim, eu sou a favor do dia da Consciência Negra, porque dá visibilidade a uma minoria que ainda sofre. Que a data saia do calendário apenas quando todos tiverem o mesmo tratamento.


Não, branco nunca sentiu na pele o que é ser discriminado pela cor.

Não, a televisão e o Brasil não perdem nada com a saída de um profissional racista do vídeo.

Não, não é mimimi, papo de esquerdista ou discurso de coitadinho. Racismo é crime e de uma ignorância sem tamanho.

Não, eu não quero mais "amigos" que misturam questões humanas e de bom senso com política de direita ou esquerda. Se você é desses, mantenha distância.

Não, não cola mais fazer piadinhas e depois dizer que foi só brincadeira. Brincando, a gente pode dizer tudo, inclusive os preconceitos que a gente tenta esconder.

Não, eu não vou mais aturar nenhum asno querendo desqualificar o combate à discriminação, seja por gênero, cor ou sexualidade. Todos merecem respeito!

Por fim, esse jornalista que "caiu", apenas por curiosidade, é o mesmo que, dizem, deu cotoveladas em um colega de profissão durante uma coletiva de imprensa pra pegar a entrevista primeiro. 

É o mesmo que tentou diminuir a Anitta numa entrevista (escrevi sobre isso aqui), só porque ela canta funk e é sensual. 

É o mesmo que ganhou fama por ser agressivo e antipático. E, cá entre nós, ele nem é tão bom na bancada. Mesmo que fosse, ser um profissional competente não autoriza a babaquice.

Sim, sou jornalista. Sim, sou branco. Não, nada disso importa. O que importa mesmo é ser humano.